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A CARGA COGNITIVA NA APRENDIZAGEM COLABORATIVA

A CARGA COGNITIVA NA APRENDIZAGEM COLABORATIVA

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Author: Margarida Costa
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Este artigo foi realizado no âmbito da Unidade Curricular de Comunicação Educaciconal, do Mestrado de Comunicação Educaional Multimáedia  da Universidade Aberta.

A Teoria da Carga Cognitiva        

A Teoria da Carga Cognitiva tem como grande preocupação o processo de aprendizagem de tarefas cognitivas complexas onde os alunos são sobrecarregados por um  número de elementos de informação interativa. Esta informação tem de ser processada  para que se inicie um processo de aprendizagem efetivo.

De acordo com a Teoria da Carga Cognitiva, a  aprendizagem ocorre mais facilmente e de forma mais eficaz quando o seu processo se aproxima do processo cognitivo humano, isto é, quando o volume de informações que são disponbilizadas ao aluno é compatível com a sua capacidade de compreensão.

A Teoria da Carga Cognitiva considera que existem  três tipos de carga cognitiva:

1. A Carga Cognitiva Intrínseca, diz respeito o que realmente tem de se aprender (isto é os elementos informativos necessários à realização de uma tarefa e a relação entre eles);

 2. A Carga Cogntiva Irrelevante ou estranha, é determinada por informações e atividades que não contribuem diretamente para a aprendizagem;

3. A Carga Cognitiva Relevante ou pertinente é originada por atividades e informações que promovem os processos de aprendizagem.

 

A aprendizagem pode melhorar se o indivíduo conseguir  reduzir a carga cogntiva irrelevante libertando, desse modo, espaço na memória para a carga cognitiva relevante.

Ao nível da aprendizagem devemos considerar que estamos perante tarefas de dois tipos: as tarefas simples e as tarefas complexas.

As tarefas simples, são aquelas que possuem uma menor carga cognitiva, ao contrário das tarefas complexas, que possuem uma maior carga cognitiva intrínseca. 

Estudos efectuados no domínio da investigação cognitiva do cérebro defendem que a capacidade do cérebro é aumentada se dividirmos as tarefas complexas pelos 2 hemisférios do cérebro. Estes estudos referem ainda, que se a tarefa for muito complexa um só indivíduo não  conseguirá  processar e relacionar todos os elementos de informação. A distribuição de tarefas, surge assim como factor facilitador, pois possibilita um menor esforço cognitivo, se compararmos a realização da mesma tarefa realizada num contexto de trabalho individual.

 

A Aprendizagem Colaborativa

O processo de aprendizagem colaborativa é caraterizado pela partilha ativa. Esta partilha ativa pressupõe um esforço/predisposição por parte dos seus membros na organização do trabalho, partilha de tarefas, comunicação do conhecimento individual adquirido, na reflexão, verbalização, explicação, decisão, etc.  Assim, ao considerarmos o trabalho em grupo, não podemos esquecer dois importantes factores: a comunicação grupal e a coordenação.

A comunicação grupal é o processo que permite ao grupo partilhar e discutir a tarefa, a informação relevante, e a solução da tarefa de aprendizagem, tendo como objectivo chegar a uma base comum.

A coordenação no grupo é o processo que gere as interdependências entre o grupo e os membros, deste modo cada membro do grupo sabe exatamente quais as actividades que os outros membros estão a realizar ou que se irão realizar, permitindo uma visão presente  (o que efetivamente está a ser realizado) e o que o futuro deve comportar. A coordenação no grupo tem de ocorrer ao nível do grupo propriamente dito e ao nível da tarefa.

De acordo com a Teoria da Carga Cogntiva, estas actividades de comunicação e coordenação podem impor uma carga cognitiva a estranhos mesmo perante tarefas simples, porque estes processos de comunicação e coordenação são adequados para a aprendizagem de um determinado tipo de tarefas mais complexas. Uma vez que esta comunicação e coordenação  requer que os elementos do grupo invistam um esforço cognitivo adicional, o que não se verifica quando falamos de uma aprendizagem individual.

Alguns estudos demonstram que em ambientes estruturados, os alunos que trabalham colaborativamente envolvem-se mais ativamente no processo de aprendizagem,:

  • retêm a informação apreendida por mais tempo;
  • promovem competências de ordem superior;
  • mostram-se aptos a auto-dirigirem-se, a negociarem e a apoiarem-se mutuamente.

No entanto, estes estudos não foram conclusivos quanto à maior eficiência e eficácia  da aprendizagem colaborativa.

Como aferir a eficácia e a eficiência da aprendizagem colaborativa?

Considera-se que uma aprendizagem é eficiente se a mesma for efetivada com menos esforço por parte dos individuos.  Até ao momento não é possível defender a supremacia da aprendizagem colaborativa face à aprendizagem individual uma vez que os estudos realizados apresentam aspectos contraditórios. 

No texto de Femke Kirschner & Fred Paas kirschner, são apresentadas 4 causas possíveis para os resultados contraditórios obtidos.

 

Abordagem comparativa: Aprendizagem Individual vs Aprendizagem colaborativa

O teor de maior ou menor complexidade da tarefa a realizar dita, segundo  a Teoria da Carga Cognitiva, a pertinência ou não do recurso à aprendizagem colaborativa.  Tendo em conta esta variante, verificou-se que tarefas mais simples são melhor desenvolvidas a nível individual, enquanto que as tarefas complexas beneficiam se forem desenvolvidas em grupo. A distribuição de tarefas que a aprendizagem colaborativa pressupõe é assim uma vantagem pois reduzirá a carga cognitiva das tarefas mais complexas.

 

 

 

Conclusão

A Teoria da Carga Cognitiva mostrou-se ser muito interessante para a a prática educacional. É fundamental que um educador, perante diversas situações e conteúdos programáticos díspares e com diferentes cargas cognitivas, possa aferir qual a metodologia mais eficaz - o recurso a uma aprendizagem colaborativa que se tormará mais motivadora e eficiente para um determinado conteúdo, enquanto para outra situação a sua escolha deverá incidir sobre uma aprendizagem individual.

Quanto maior a complexidade das tarefas de aprendizagem, o mais provável é que a aprendizagem colaborativa atinja melhores resultados de aprendizagem, – quer em termos de eficácia, eficiência, ou ambos, – que a aprendizagem individual.

A abordagem da carga cognitiva da aprendizagem colaborativa, apresentada pelo artigo de Femke Kirschner & Fred Paas Kirschner & A. Paulo, A Aprendizagem Colaborativa e a Teoria da Carga Cognitiva , promoveu a oportunidade de re-estudar e reinterpretar a aprendizagem em grupo, deixando em aberto a continuidade desses estudos afim de se obterem resultados mais concretos e conclusivos sobre esta temática.

Introdução

Esta reflexão tem por base o texto de Femke Kirschner & Fred Paas Kirschner & A. Paulo, A Aprendizagem Colaborativa e a Teoria da Carga Cognitiva, e pretende mostrar em que situações a Aprendizagem Colaborativa deverá ser uma ferramenta a utilizar no processo de aprendizagem, percebendo em que "ambientes" a sua utilização será mais eficaz e eficiente.

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