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Contribuições da Teoria Multimedia de Mayer para Prática Pedagógica da Educação de Jovens e Adultos

Contribuições da Teoria Multimedia de Mayer para Prática Pedagógica da Educação de Jovens e Adultos

Author: carla cardoso
Description:

 

Unidade Curricular

Cumunicação Educacional

Professor

António Quintas

Artigo

Contribuições da Teoria Multimédia de Mayer para a Prática Pedagógica de Jovens e Adultos

Alunas

Alice Brandão

Carla Cardoso

 

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Resumo

O presente artigo tem como finalidade apresentar a definição do termo multimédia bem como suas alterações e especificações, resultantes da evolução tecnológica. Abordará as contribuições da Teoria Cognitiva de Aprendizagem segundo Mayer, os três pressupostos que contribuem para uma melhor compreensão do conceito no contexto educativo e os tipos de memória na aprendizagem multimédia, fundamentais para construção de conhecimentos. Fará uma comparação da teoria cognitiva da aprendizagem multimédia com o recurso de ensino “Software Luz das Letras” usado no processo de alfabetização de adultos em algumas escolas públicas do Estado do Paraná.

Introdução

As novas tecnologias e os meios de comunicação desempenham um papel cada vez mais significativo na educação. Sabe-se que a invenção do telefone, do rádio e da televisão contribuiram exponencialmente para mudança de paradigmas educacionais, porém surgiram nas últimas décadas, as tecnologias da informação e comunicação que provocaram profundas mudanças no processo informacional e comunicacional, interferindo no processo educacional. O grande desafio da educação na sociedade contemporânea é definir que tipo de formação dará conta da educação para convivência pessoal e profissional na sociedade do século XXI e a partir dessa reflexão, lançar mão às novas teorias de aprendizagem que contemplem o uso das novas tecnologias da informação e comunicação para acelerar o acesso à educação para todos e ao longo da vida.

As teorias de aprendizagem como construtivismo, cognitivismo e outras tiveram um papel relevante nas sociedades dopassado, na sociedade do conhecimento surgem novas teorias de aprendizagem conforme a evolução tecnológica e nesse contexto, pode se dizer que a teoria de aprendizagem multimédia surge como forte aliado para elucidar novas formas de aprender.

Para melhor compreensão do termo multimédia faz-se necessário referenciar que o mesmo surgiu no final da década de 50, e numa primeira fase reporta-se a apresentações, sessões ou cursos que utilizem mais do que um medium, como referem, entre outros, Kozma (1991), Preece (1993), Tolhurst (1995), Collins et al. (1997). Essa nomenclatura resulta da justaposição dos termos: multi+media (plural de medium), isto é, vários meios ou formatos como texto, imagem, ví­deo, som, entre outros.

A multimé­dia na educação pode ser definida como a utilização de recursos tecnológicos tais como computador, áudio, ví­deo e ilustrações (Mayer, 2001):

Mayer (2001, p.2), define multimédia "como a apresentação de um material usando tanto a escrita quanto as imagens. Através da escrita, o material é apresentado na forma verbal como no texto escrito ou falado. Através do uso de imagens o material é apresentado na forma ilustrada, como em gráficos (com ilustrações), fotos, mapas, ou ainda animações e ví­deos".

O recurso multimédia contempla palavras, imagens e animações que podem facilitar o processo de aprendizagem tendo em vista as combinações entre os mesmos, e desse modo, contribuir para que o estudante construa seus conhecimentos mais rapidamente.

Teoria Cognitiva da Aprendizagem Multimédia x Aprendizagem Significativa

As pesquisas apontam que a compreensão sobre o funcionamento da memória contribui para concretização de uma aprendizagem significativa. Nos estudos de Mayer, 2001 a teoria cognitiva da aprendizagem multimédia baseia-se em três princí­pios da ciência cognitiva: o sistema humano de informação inclui canais duplos para processamento visual/pitórico e auditivo/verbal; cada um dos canais tem uma capacidade de processamento limitada e a aprendizagem ativa implica a execução de um conjunto coordenado de processos cognitivos durante essa mesma aprendizagem.

A referida teoria especi­fica também, cinco processos cognitivos durante a aprendizagem: escolha de palavras relevantes no texto ou narrativa apresentados; a escolha das imagens relevantes das ilustrações apresentadas; a organização das palavras selecionadas numa representação verbal coerente; organização das imagens selecionadas numa representação pictórica coerente e integração das representações pitóricas verbais com os conhecimentos anteriores, fundamentais no processo de ensino e aprendizagem.

Assim sendo, as pessoas aprendem mais rapidamente a partir de palavras e imagens que somente por palavras, como afirmam as pesquisas acerca do "princípio multimídia", (Mayer, p. 47). Porém, o simples fato de adicionar palavras a imagens não é uma forma eficaz para alcançar a aprendizagem multimédia, é necessário contextualizar o fato e saber como a mente humana funciona. Esta é a base para a teoria cognitiva de Mayer na aprendizagem multimédia. Propõe desta forma três hipoteses principais quando se trata de aprender com multimédia: a) existem dois canais separados (auditivo e visual) para o processamento de informação (Dual cannal); b) cada canal tem uma capacidade limitada (similar à noção de Sweller na carga cognitiva); c) aprendizagem é um processo ativo de filtragem, seleção, organização e interação de informações com base no conhecimento prévio.

Os seres humanos so podem processar uma quantidade limitada de informações por canal, se elas fizerem sentido a informação recebida é dessa forma transformada em representações nas três áreas de memória. (Mayer, 2001)

Como aprende o adulto x teoria cognitiva multimédia Mayer

A teoria cognitiva de aprendizagem multimédia de Mayer (2001), apresenta a ideia de que o cerebro não interpreta uma grande quantidade de palavras, imagens e informações auditivas mutuamente, através dos canais de processamento de informação seleciona e organiza dinamicamente para produzir lógica de construções mentais. De modo a ter uma melhor compreensão sobre a teoria cognitiva de multimédia de Mayer e da contribuição na aprendizagem do adulto é necessário entender como o adulto aprende. Para isso, é importante analisar o conceito de Andragogia. Essa palavra vem do grego: andros - adulto e gogos - educar, significa “educar adultos”. Andragogia é a arte de ensinar os adultos, que obviamente, não são aprendizes sem experiência, pois trazem o conhecimento da escola da vida. Esse aluno busca desafios e soluções de problemas, tanto para o campo profissional como pessoal e a partir dos ensinamentos, passam a compreender melhor o seu contexto. Sabe-se que adulto aprende com seus próprios erros e acertos e compreendem que a falta do conhecimento atrapalha seu progresso no mundo do trabalho.

A organização do ensino para adultos deve procurar um currículo que atenda às necessidades de aprendizagem dos mesmos, de modo a colaborar com o desenvolvimento do aprendiz. Por isso, nessa abordagem a aprendizagem adquire uma particularidade mais localizada no aluno, na independência e na auto-gestão da aprendizagem, tendo em vista a aplicação na convivência diária de suas vidas. Os alunos adultos estão preparados a iniciar uma ação de aprendizagem ao se envolverem com a sua utilidade no enfrentar problemas reais tanto na vida pessoal como na profissional.

O ambiente de aprendizagem para adultos deve ter em conta o conhecimento adquiridos ao longo da vida, que são trabalhadores de diversas áreas e chegam cansados em sala de aula, após um dia exaustivo de trabalho e precisam encontrar motivação para dar prosseguimento aos seus objetivos. Assim, o ambiente deve ser agradável e acolhedor no que respeita à organização da sala de aula, bem como recursos de ensino e das atividades a serem desenvolvidas no decorrer do trabalho educativo. O professor deve atuar como um facilitador do processo ensino aprendizagem, transformando o conhecimento em uma ação recíproca de troca de experiências vivenciadas, sendo um aprendizagem em mão dupla. Sabe-se que na educação convencional o aluno se adapta ao currículo, mas na educação de adulto, o aluno colabora na construção do mesmo. É ainda importante entender que a atividade educacional do adulto é centrada na aprendizagem e não no ensino, sendo o aprendiz adulto agente de seu próprio saber, este deve decidir sobre o que aprender. Os adultos aprendem de modo diferente das crianças, assim facilita o processo educativo. Portanto, é essencial que a metodologia aplicada seja diferenciada, entendendo como o adulto aprende e qual sua capacidade de interação nas tarefas, trabalhos em grupo e participação nas aulas. 

Alfabetização no contexto de aprendizagem do adulto

Tendo em vista a discussão sobre a possibilidade de alfabetizar jovens e adultos através do lançamento de palavras com apoio de figuras e o uso do microcomputador é fundamental compreender a definição sobre alfabetização e letramento, bem como outras implicações relevantes desse cenário.

SOARES, (2005), define a alfabetização como um processo de aquisição do código escrito, das habilidades de leitura e escrita. Enquanto letramento segundo RIBEIRO (2003), é algo que se relaciona com a percepção da ordem da escrita, de seus usos e objetos, bem como de ações que uma pessoa ou um grupo de pessoas faz com base em conhecimentos e artefatos da cultura escrita.

Para CAPOVILLA (2005), fazem parte da alfabetização: consciência fonológica, familiaridade com textos impressos, metalinguagem (uso da própria língua para descrevê-la ou explicá-la), consciência fonêmica, conhecimento do princípio alfabético (as letras representam sons), descodificação, fluência, vocabulário, estratégias de compreensão de textos.

No entretanto, alfabetizar adultos é diferente de alfabetizar crianças, Paulo Freire (1979) mostra que a alfabetização de adultos tem um papel essencial na inclusão desse público em uma sociedade que privilegia as linguagens falada e escrita. Porém, mais que isso, para ele a educação deve se preocupar em formar nos alfabetizandos uma consciência crítica que se opõe à consciência ingênua. A escola deve atender às necessidades de seus alunos levando-se em conta que a escola faz parte da sociedade, a qual está em constante mudança. Freire concebe, portanto, o ser humano como ativo em sua realidade e condena a educação bancária. “O homem integra-se e não se acomoda” (FREIRE, 1979, p. 31), assim a tecnologia poderá ajudar a combater mais rapidamente o analfabetismo e simultaneamente o analfabetismo digital.  Segundo o mesmo autor a educação não deve ser restrita, mas deve acolher o novo e o velho conforme a validade que tem um e outro e incorporar o uso da tecnologia contemporânea, como aliada essencial na alfabetização de jovens e adultos que promovem a construção de conhecimentos, democratização dos saberes e o acesso aos bens culturais da localidade em que se encontram os alfabetizandos adultos. A premissa básica é repensar o trabalho a ser desenvolvido com os alunos que se encontram na fase adulta, pois certamente possuem muitos conhecimentos sobre a vida cotidiana apesar de não dominarem os códigos lingüísticos que compõem a sua língua pátria. Litwin (1997) sugere algumas contribuições para tornar mais produtivo o trabalho educativo nessa fase: a) a sala de aula precisa ser um espaço para mediação cultural; b) organização do trabalho pela problematização do cotidiano; c) dialogar com a cultura de referência dos grupos populares; d) apropriar-se das linguagens tecnológicas enquanto instrumentos de intervenção na realidade. É prioritário repensar o modo de como o adulto assimila as informações do seu entorno e as acomoda em sua memória para consolidação de novas aprendizagens.

Uma boa contribuição para acelerar a aprendizagem dos alunos da fase adulta encontra-se na teoria cognitiva multimédia de Mayer (2001), em que o trabalho de alfabetização poderá associar a figura da palavra a ser ensinada à escrita da palavra conforme o contexto multimédia permitindo aos estudantes adultos uma aprendizagem mais acelerada devido à informação não ser simplesmente memorizada, mas construída com uma rede de informações individuais, sociais e culturais de cada aprendiz. Dentro desta perspectiva, o aluno é responsável pelo seu conhecimento, ele é ativo e o professor admite um papel de facilitador que auxilia e dá suporte. O objetivo do uso desse recurso é acelerar o processo através das conexões cognitivas e permitir que o aluno organize seu conhecimento mentalmente. Para esse estudo foram escolhidas algumas telas para apresentação do “Software Luz das Letras”, software educativo gratuito elaborado numa parceria entre a Secretaria de Estado do Paraná-Brasil (SEED) e a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (COPEL) e destina-se ao trabalho com analfabetos absolutos e funcionais - pessoas que não conseguem entender ou escrever um texto simples. O software é interativo e de fácil manuseamento pelos usuários.

O software apresenta uma tela com ícones da barra de ferramentas com as seguintes funções:

a) Alfabeto: em cada lugar visitado pela exploração visual das telas a barra de ferramenta mostra o alfabeto de uma maneira diferente: forma cursiva, demonstração de como as letras foram se modificando ao longo do tempo e palavras ilustradas iniciadas pelas respectivas letras.

b) Escutar: permite ouvir novamente uma orientação ou uma canção.

c) Dicionário: palavras encontradas durante a resolução das atividades aparecem registradas em caixa alta e acompanhadas de seu significado.

d) Caderno: é a ferramenta que apresenta uma seqüência de exercícios relacionada ao texto inicial, abrangendo o trabalho com as unidades menores da escrita: associação sonora, direção e sentido da escrita, junção silábica, tentativas de escrita, reconhecimento de vogais e consoantes, montagem de novas palavras.

e) Desafios: apresenta atividades como: caça-palavras, cruzadinhas, dominó, curiosidades, pergunta-resposta, adivinhas, associação palavras-desenho, letras do alfabeto, forca, entre outras.

f) Impressora: permite o registro impresso e datado de uma produção significativa.

Considerações Finais

Neste artigo focalizamos numa breve resenha da evolução do conceito multimédia na sociedade atual, apresentando os componentes essenciais para a sua definição. As teorias e pressupostos citados alertam-nos para a importância e necessidade de utilizar diferentes media na aprendizagem. A evolução tecnológica permite a conjunção de diferentes formatos num mesmo documento, mas será também analisar se realmente eles têm uma função integrada e articulada no documento, ou seja, avaliar se temos um formato multimédia com um sistema simbólico próprio. Por último salienta-se a necessidade de integrar na prática curricular este novo tipo de literacia da informação, que o utilizador tem que dominar para navegar e explorar estes documentos, off-line e on-line.

 

 

Referências Bibliográficas

ARAUJO, Márcia Baiersdorf. (2007). Experiências de leitura e escrita no computador: a recepção ao software Luz das Letras por adultos em processo de alfabetização. Curitiba.

 

DIGIDATA. (2006). Programa Luz das Letras. Curitiba: Digidata.

 

FREIRE, Paulo. (1992). Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e terra.

 

FREIRE, Paulo. (2000). Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo:UNESP.

 

Mayer, R. E. (2001). Multimedia learning. New York: Cambridge University Press.
 

PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. (2005). Diretrizes Curriculares da Educação de Jovens e Adultos no Estado no Paraná. Curitiba: SEED.